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Brasil registra mais mortes por armas de fogo do que conflitos armados internacionais

 

Na última década as mortes por armas de fogo registradas no Brasil superaram o número de vítimas de 23 conflitos armados no mundo, perdendo apenas para as Guerras Civis de Angola e da Guatemala.

Nesse período morreram no Brasil 325.551 pessoas, em média 32.555 mortes por ano.

 

O estudo revela que, entre 1979 e 2003, as armas de fogo mataram 550 mil pessoas no País, ou seja, 35 mil vítimas por ano ou 100 pessoas por dia.

 

A pesquisa confirma que os jovens, entre 15 e 24 anos, são as principais vítimas das mortes por armas de fogo: do total de vítimas, 206 mil eram jovens nessa faixa etária.

Só no ano de 2003, 41,6% dos casos registrados foram de jovens.

 

As mortes por armas de fogo no País foram comparadas com o número de vítimas de 26 conflitos bélicos ocorridos em 25 países do mundo, em períodos distintos.

Chama a atenção o fato de o Brasil, mesmo sem ter conflitos religiosos, de fronteiras ou luta política armada, registrar mais vítimas das armas de fogo do que nações atingidas por conflitos bélicos declarados.

 

A pesquisa foi feita com base em dados do Sistema de Informações de Mortalidade, no caso Brasil, o DATASUS do Ministério da Saúde, e, no caso internacional, da Organização Mundial de Saúde (OMS), detalhando a causa de mortes por uso de armas de fogo em acidentes, homicídios, suicídios e indeterminada. Os dados foram analisados ano a ano conforme o número de mortes por armas de fogo no Brasil.

Os dados fazem parte do estudo "Mortes Matadas por armas de fogo no Brasil 1979 - 2003", que foi lançado hoje, pela UNESCO no Brasil, coordenado pelo sociólogo Julio Jacob Waiselfisz, pesquisador da UNESCO

 

Site: UNESCO no Brasil